sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Nada Além

Nada escapa a seus olhos, pois eles transparecem
a minha estrada, a tua estrada a estrada dos sonhos.
Além dela habita o olhar que leva um mundo,
embaraçado e desenhado por fleches de luz.
olhar de um poeta conturbado consigo mesmo,
de não conseguir expressar num papel o que passa
na sua realidade ilusória.
Construimos ilusões nas fábulas do nosso ego e conseguimos
ser deuses de nossos pés.
Caminhando num lugar inabitável, conhecendo a verdade
e provando a mentira sentida no gosto podre da vida.
É nos venenos mais simplórios que talvez encontre a chave que nos
liberte dessa nossa transgressão.
Finalmente morrer, contemplar o universo de perto
podendo pegar as estrelas e protegê-las.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Achados na Avenida

A via-cruz do guarda chuva colorido
Na rouquidão do quarto
Pinta os olhos maléficos
pelo toque da luz,
do eclipse permanente.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Carrossel

O tempo ressecou nossas vidas,
quebrando-as no muro das tristezas.
Giramos em órbitas contrárias, repousando
no arrebol perene.
Substituimos sorrisos por desafeto.
Deliciando-se dos múltiplos eus,
brincam meus fantasmas,
cuspindo estrilhaços da minha transgressão.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Quadro Vermelho

Quando a beleza se arredonda e vira cores
Onde o barulho dos pincéis satisfaz o dia
Tingindo-o e quebrando seu silêncio
me faço cega.

Eu que vim da influência má do zoodiaco
Cresci com adrenalina de ventre
Junto com meus pares- "poetas, vagabundos,
pervetidos e gênios",
rabisco as paisagens do além.

Em pleno voô "num caco de vidro colorido"
Manchando as  cores com fetiches de jornal
estas notícias populares, acizentado as cores
da psicodelia do meu eu.

Nesse quarto de sossego,
onde viramos heróis em nossas histórias,
sou filha dos templos estradeiros,
narcóticos, iluminados.

Novembro

A tarde de sol, chovendo sonhos
Nas plantas pingam o orvalho do amanhecer.
Vento batendo enchendo de esperança,
a carne enodoadade de felicidade.
Não existe um desenho claro do céu,
o artista de Deus mais venerado por meus olhos.
E os meninos dançando na chuva,
gritando de euforia.
Me arremetem uma paz que procuro.
Uma tarde de desejos e de medo
mais acima de tudo de amor.

Flores no Telhado

O vinho e as velas que alimentam
A alma de quem se perdeu na escuridão
das paredes azuis.
Com os desertos mortos, que aspiram
energia do paraíso alienado que reside
sobre nossas cabeças.
Suspiram flores sem petálas dos jardins
do infinito, voando sobre corpos deitados
na grama dos telhados enrugados pelo tempo.
No sol de quase setembro,
vou queimando as incertezas e o medo.
Talvez na busca das cidades perdidas
do teu pensamento.
Andando no frio trilho de aço das ferrovias
abandonadas, estão encrespadas de terra e sal.
Vendo todos os insetos rodeando as lâmpadas,
fico sentada na beira da estrada esperando
alguma alma penada vir me buscar.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Alma

Depois das nuvens de arco-iris nadando.
A sua alma se perde na emancipação,
sinueta das matas virgens.
olhares saboreados e cuspidos ao vento.

O circo azul fechando-se,
escurece surgindo as estrelas incandescentes,
que dõe se olharem fundo.
Aguam os homens, matam a a alma.

É quando, se queima os corações perdidos
vestem-se de saudade,
e tomam chá a beira do abismo que se jogam:
o amor.

Amor que nem os poetas aprenderam amar,
Que destrói e forma olhares,
que movimenta caminhos a passos curtos e largos.
Que junta e enlaçam as almas no arrebol,
se jogam ao infinito...