terça-feira, 24 de abril de 2012

Mais um dia sem ar.


A calma nasce depois do cansaço de pensar que para ter calma é preciso estar perfeito com seu corpo.  A calma esta no espírito.
Nasce a cada madrugada, nas ruas estreitas e escuras da cidade o medo, medo de perder sua alma a uma loucura que atormenta ate os mais sãos.
Meu diagnostico exato do meu dia, me grita ditando regras que não preciso e não quero. Por que acaba sendo todos iguais a vida urbana, mais não a vida que cresce dentro de si.
Sinceramente queria parar de pensar, por alguns minutos, o pensamento lhe envenena quando ele te ensurdece, quando ele é possesso e luta por ser igual.

sábado, 7 de abril de 2012

Saudade

Uma vida inteira cabe dentro de uma bola de sabão,
flutuando no ar se perdendo em suas cores.
os fios dourados das lâmpadas queimam os olhos da saudade,
saudade do cheiro do café de gosto amargo,
saudade de um céu único e indomável.
amo inegavelmente os que me rodeiam,
um defeito claro grudado em mim.
sem transpor, sem sorriso, sem ar,
um momento muito alienado da minha vida.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Dias de quintal

Andam se perdendo no tempo os dias.
Vivendo numa caixa de fósforo,
queimando momentos.
Fazendo da fumaça saudade,
se esvaziando no vento.
Que sopra ensurdecedor,
no meu ouvido já polido do sol.
Um beco incendiário me alucina,
no vendaval das roupas do varal
de cerca de arame farpado.
O tempo na saída me dando adeus,
e na beirada do início o inifinito me dando bença.
Não sei o que já sabia, apenas vivendo um dia de
cada vez.
E esperando que tudo irá ficar bem no fim,
por que os dias bailam no tapete da vida.

Poesia muda

A lâmpada iluminando artérias verdes,
extraindo o orvalho o néctar para meus olhos.
O toque aveludado obstruindo e sucumbindo
as nódoas da minha pele.
Deixa um semblante de riso na face.
A poesia do cinema mudo encantando meu véu metafísico.
Mastiguei um dia de calma,
Vou dormir no céu.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Nada Além

Nada escapa a seus olhos, pois eles transparecem
a minha estrada, a tua estrada a estrada dos sonhos.
Além dela habita o olhar que leva um mundo,
embaraçado e desenhado por fleches de luz.
olhar de um poeta conturbado consigo mesmo,
de não conseguir expressar num papel o que passa
na sua realidade ilusória.
Construimos ilusões nas fábulas do nosso ego e conseguimos
ser deuses de nossos pés.
Caminhando num lugar inabitável, conhecendo a verdade
e provando a mentira sentida no gosto podre da vida.
É nos venenos mais simplórios que talvez encontre a chave que nos
liberte dessa nossa transgressão.
Finalmente morrer, contemplar o universo de perto
podendo pegar as estrelas e protegê-las.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Achados na Avenida

A via-cruz do guarda chuva colorido
Na rouquidão do quarto
Pinta os olhos maléficos
pelo toque da luz,
do eclipse permanente.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Carrossel

O tempo ressecou nossas vidas,
quebrando-as no muro das tristezas.
Giramos em órbitas contrárias, repousando
no arrebol perene.
Substituimos sorrisos por desafeto.
Deliciando-se dos múltiplos eus,
brincam meus fantasmas,
cuspindo estrilhaços da minha transgressão.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Quadro Vermelho

Quando a beleza se arredonda e vira cores
Onde o barulho dos pincéis satisfaz o dia
Tingindo-o e quebrando seu silêncio
me faço cega.

Eu que vim da influência má do zoodiaco
Cresci com adrenalina de ventre
Junto com meus pares- "poetas, vagabundos,
pervetidos e gênios",
rabisco as paisagens do além.

Em pleno voô "num caco de vidro colorido"
Manchando as  cores com fetiches de jornal
estas notícias populares, acizentado as cores
da psicodelia do meu eu.

Nesse quarto de sossego,
onde viramos heróis em nossas histórias,
sou filha dos templos estradeiros,
narcóticos, iluminados.

Novembro

A tarde de sol, chovendo sonhos
Nas plantas pingam o orvalho do amanhecer.
Vento batendo enchendo de esperança,
a carne enodoadade de felicidade.
Não existe um desenho claro do céu,
o artista de Deus mais venerado por meus olhos.
E os meninos dançando na chuva,
gritando de euforia.
Me arremetem uma paz que procuro.
Uma tarde de desejos e de medo
mais acima de tudo de amor.

Flores no Telhado

O vinho e as velas que alimentam
A alma de quem se perdeu na escuridão
das paredes azuis.
Com os desertos mortos, que aspiram
energia do paraíso alienado que reside
sobre nossas cabeças.
Suspiram flores sem petálas dos jardins
do infinito, voando sobre corpos deitados
na grama dos telhados enrugados pelo tempo.
No sol de quase setembro,
vou queimando as incertezas e o medo.
Talvez na busca das cidades perdidas
do teu pensamento.
Andando no frio trilho de aço das ferrovias
abandonadas, estão encrespadas de terra e sal.
Vendo todos os insetos rodeando as lâmpadas,
fico sentada na beira da estrada esperando
alguma alma penada vir me buscar.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Alma

Depois das nuvens de arco-iris nadando.
A sua alma se perde na emancipação,
sinueta das matas virgens.
olhares saboreados e cuspidos ao vento.

O circo azul fechando-se,
escurece surgindo as estrelas incandescentes,
que dõe se olharem fundo.
Aguam os homens, matam a a alma.

É quando, se queima os corações perdidos
vestem-se de saudade,
e tomam chá a beira do abismo que se jogam:
o amor.

Amor que nem os poetas aprenderam amar,
Que destrói e forma olhares,
que movimenta caminhos a passos curtos e largos.
Que junta e enlaçam as almas no arrebol,
se jogam ao infinito...

domingo, 22 de maio de 2011

Dias incertos

Meu eu retórcio, que toca pontas de faca
nas idas e vindas do meu caminhar.
Cruzando sêmen de planta com o útero
de musas semi-cegas.
Não consigo ao menos entender o meu dia,
vou escrevendo em págins brancas o
que já não mais faz sentido.
Ouvindo poesias cantadas, fazendo coisas
por mecanismos sem estrutura.
Tanto faz...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Conversas filósoficas

A arte é produto da vida que você sente,
e a vida por si, uma arte, a mais dolorosa que existe.
As duas coisas te deixam felizes e tristes,
sempre atreladas.
Viver e sentir.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Uma menina

Heroínas de nossa própia história
incessante lábios cor canela.
Malabarismo de fios de cabelo,
cheirando a beleza de momentos
de fundo de mato, de seiva de flor.

Vestida de luz, de nuvem de algodão.
caminhando pelos becos do passado.
Uma menina em sua ciranda,
vive pelo simples amanhecer.

( Há Amanda Thaíssa )

O som de um sábado

Os caminhos se marcaram por curvas
d'gua , manchando a terra seca.
É dita em língua de anjos,
palavras de duplo sentido.
Encosta em meu ombro a presença
de um Deus, dando paz em meu peito.

Estes dedos corroídos pelo som,
minha onda psicodélica, faz-me esquecer
de alguma culpa que não me lembro.
E por que este saxofone tão longe?
Batendo sua notas no muro, dedilhando o vento.

Comendo as unhas do adultério,
tecendo minha perdição, dando medo ao meu encontro.
E o relógio apontando sempre para um futuro,
me intriga em seu riso.

Furando os olhos por um sentimento,
tremendo em nostalgia ,
em 1972 queria estar em Nova York,
só para ouvir um solo.
um gemido de um coração.

Primavera Noturna

Eu percorrendo a minha mais fiel companhia,
a noite. Senti o alvoroço em minha garganta
arrastando-me para a cama de calçada.
Onde sentada vejo esperança em todos os olhares.

Dentro das árvores virgens, o batuque dos esquilos
fazem a dança da primavera. Nos seus pêlos posso
ver as histórias de sábios e alvorada dos mudos.

A velha gota de vida, se emancipando devagar,
crescendo e se transformando em homens,
entristece os guardiões do paraíso.
Nesse chão maldito, rodeado por cata-ventos.

E as flores cristalinas surgindo da fonte
dos magos, junta-se a nós, fumadores de cigarros
comedores de dedos.

Deixem as paredes se retorçerem agonizantes,
girando com seus moinhos, se exalando.
Sugando o manto grudado em meu corpo,
moldando com o hálito as madrugadas.

Onde as sombras dos quadros negros,
enlouquecem os sãos e fazem rir os surdos.
Onde a luz da aurora é apenas picada na veia
de esperança.